Resposta curta. Uma publicação da Embrapa Soja noticiada em julho de 2025 fala em R$ 100 a R$ 400 por hectare, faixa larga demais pra virar o seu preço. Some equipamento, custo fixo, bateria, combustível, manutenção e equipe por hectare, divida por 1 menos imposto e margem e cobre deslocamento e taxa mínima à parte. Faça a conta com o volume pessimista de hectares, que é o que mais mexe no preço.
O fazendeiro liga, pergunta quanto é o hectare e espera a resposta ali, no telefone. Muito dono de empresa de drone responde com o número que ouviu do vizinho, ou com o que o vendedor do equipamento comentou na feira. Às vezes dá certo. Muitas vezes o preço fica abaixo do custo e ninguém percebe até a primeira bateria morrer ou a bomba travar no meio da safra.
Este guia é pra você montar o seu preço com a sua conta. A ideia é sair daqui com uma planilha simples na cabeça, sabendo quanto custa cada hectare que o seu drone aplica e quanto você precisa cobrar pra sobrar dinheiro no fim do ano. No final tem um jeito de apresentar isso ao produtor sem virar leilão.
Quanto o mercado cobra hoje
Existe uma referência pública e datada. Em 15 de julho de 2025, o Band Agro publicou uma reportagem sobre o Documento 474 da Embrapa Soja, "Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática". Segundo o autor da publicação ouvido na matéria, o preço pra contratar aplicação de agrotóxico com drone ficava em geral entre R$ 100 e R$ 400 por hectare. A mesma fonte diz que a variação vem do relevo, da vegetação, da complexidade da operação, do equipamento, da distância até a área e do tipo de produto. E conta que alguns prestadores cobram por hora de voo, enquanto outros cobram o serviço completo, com o preparo da calda incluído.
Guarde essa faixa como régua. Ela é larga demais pra virar o seu preço, porque R$ 100 e R$ 400 atendem negócios completamente diferentes. O número certo pra você sai do seu custo, do volume que você consegue vender e da região onde você roda.
Separe o custo em três camadas
O erro mais comum é jogar tudo num balaio só. Fica mais fácil quando você divide o custo pela forma como ele aparece.
1. O que você paga mesmo sem voar
É o custo fixo. Entra aqui a parcela ou a depreciação do conjunto (drone, baterias, carregador, gerador, carreta ou caminhonete adaptada), o responsável técnico, o contador, o seguro, o celular e a internet do campo, e o que você gasta pra ser encontrado, como site e anúncio.
O responsável técnico merece atenção. A Portaria MAPA 298/2021 exige que a empresa operadora de drone tenha um engenheiro agrônomo ou florestal como responsável técnico pra ter registro no MAPA. É custo mensal, com ou sem serviço na agenda. Os detalhes do registro estão no guia de como abrir empresa de pulverização com drone.
2. O que cada hectare consome
Esse é o custo variável. Cada hectare gasta um pedaço de bateria, combustível do gerador e desgaste de peça.
A bateria costuma ser a conta mais esquecida. Pegue o preço de uma bateria e divida pelo número de ciclos que o fabricante garante. Isso dá o custo por ciclo. Depois divida pelo número de hectares que você aplica com um ciclo, na vazão que você mais usa. Pronto, você tem o custo de bateria por hectare, e ele muda bastante se você trabalha com vazão alta.
Manutenção entra do mesmo jeito. Some o que você gastou no ano com hélice, bico, bomba, filtro, mangueira e revisão, e divida pelos hectares aplicados. No primeiro ano, sem histórico, use o manual do fabricante e peça um orçamento de peças de reposição na revenda.
3. O que cada serviço custa pra acontecer
Deslocamento, diária da equipe, alimentação e, às vezes, hospedagem. Esse custo existe por serviço, seja a área de 20 ou de 300 hectares. Tratar ele como custo por hectare é o que faz a empresa perder dinheiro em área pequena e longe.
A calda, na maioria dos contratos, é do produtor. O produto sai com receituário agronômico no nome da propriedade. Se você fornecer adjuvante, água ou o próprio produto, isso vira linha separada na proposta.
A conta, passo a passo
Os números abaixo são inventados pra mostrar o raciocínio. Troque cada um pelo seu, porque preço de equipamento, salário e diesel mudam muito de uma região pra outra.
Imagine um conjunto completo de R$ 250 mil, que você pretende usar por quatro anos. São R$ 62.500 por ano de depreciação. O custo fixo mensal (responsável técnico, contador, seguro, celular, marketing) é de R$ 6 mil, ou R$ 72 mil por ano. Você acredita que consegue vender 6 mil hectares no ano.
- Equipamento: R$ 62.500 divididos por 6 mil hectares dá R$ 10,42 por hectare
- Custo fixo: R$ 72 mil divididos por 6 mil hectares dá R$ 12,00 por hectare
- Bateria: uma bateria de R$ 9 mil com 1.500 ciclos dá R$ 6 por ciclo, e com 1,5 hectare por ciclo fica em R$ 4,00 por hectare
- Combustível do gerador: R$ 3,00 por hectare
- Manutenção e peças: R$ 5,00 por hectare
- Equipe: operador e auxiliar a R$ 700 por dia, fazendo 60 hectares, dá R$ 11,67 por hectare
Somando tudo, cada hectare custa R$ 46,09.
Agora entram imposto e margem. Os dois incidem sobre o preço final, então a conta é dividir o custo por 1 menos a soma das duas porcentagens. Com 6% de imposto (use a alíquota que o seu contador passar, esse número é só pra fechar o exemplo) e 30% de margem, fica R$ 46,09 dividido por 0,64. O preço sai em R$ 72 por hectare, sem o deslocamento.
O número que muda tudo
Refaça a conta com 3 mil hectares no ano em vez de 6 mil. A depreciação sobe pra R$ 20,83 por hectare e o fixo pra R$ 24,00. O custo vai pra R$ 68,50, e o preço com a mesma margem vai pra R$ 107.
O que mais mexe no seu preço é o volume que você consegue vender, bem mais do que a bateria ou o diesel. Por isso eu monto a conta com o volume pessimista, aquele que você tem quase certeza de fechar. Se a safra for boa, a sobra vira caixa pra trocar de equipamento. Se você montar a conta no volume otimista e ele não vier, o prejuízo aparece só no fim do ano, quando já não dá pra renegociar nada.
Deslocamento e taxa mínima
Deslocamento vai separado, cobrado por quilômetro rodado de ida e volta, ou por faixa de distância. Se o seu custo por quilômetro é R$ 2,50 e a fazenda fica a 90 km, são 180 km e R$ 450 só pra chegar. Numa área de 300 hectares isso some. Numa de 15 hectares, come a margem inteira.
Por isso vale ter uma taxa mínima por serviço. Uma forma simples é cobrar no mínimo meia diária de equipe mais o deslocamento, qualquer que seja o tamanho da área. O produtor pequeno entende, porque ele paga isso pra qualquer prestador que vai até a propriedade.
Por hectare, por hora ou por pacote
Hectare é o jeito que o fazendeiro entende e compara. Funciona bem em lavoura aberta, plana, com talhão grande.
Hora de voo protege você em área difícil, com relevo, obstáculo, árvore no meio, talhão recortado. O problema é que o produtor não consegue prever quanto vai gastar, e isso gera desconfiança.
Pacote por safra é o formato que eu mais gosto pra cliente recorrente. Você fecha um número de aplicações por área, com preço por hectare um pouco menor, e ganha previsibilidade de agenda. Planejar equipe e bateria com a safra fechada é outra vida.
Como apresentar o preço pro fazendeiro
Preço mandado solto no WhatsApp vira comparação com o mais barato da região. A proposta escrita muda a conversa, porque mostra o que está incluído e o cuidado com a operação.
- Área, cultura e o alvo da aplicação
- Vazão de calda por hectare que você vai usar
- O que está incluído (equipe, preparo de calda, relatório) e o que fica com o produtor (produto e receituário)
- Deslocamento e taxa mínima em linha própria
- Janela de aplicação e o que acontece se o vento ou a chuva impedirem o voo no dia marcado
- O número do seu registro no MAPA
- O relatório que ele recebe depois
O relatório é o seu melhor argumento. A Portaria 298 já obriga a empresa a registrar cada aplicação com data, coordenadas, cultura, área, produto e dose, altura de voo, dados de tempo e a ponta de pulverização usada, com mapa da aplicação anexado. Você vai produzir esse registro de qualquer jeito, então entregue uma cópia organizada pro produtor. Pra quem tem que prestar conta ao agrônomo, à cooperativa ou à certificadora, isso vale dinheiro.
Preço bom é aquele que você consegue explicar linha por linha. Se o fazendeiro pedir desconto, você sabe exatamente de qual linha está tirando.

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Perguntas frequentes
Posso cobrar mais barato no começo pra pegar cliente? Pode, desde que seja uma decisão com prazo e com número. Diga ao produtor que é preço de primeira aplicação. Desconto sem data vira preço de tabela, e subir depois custa o cliente.
O produto entra no meu preço? Normalmente não. O produto é comprado pelo produtor, com receituário agronômico. Se você fornecer qualquer insumo, cobre à parte e deixe isso escrito.
Quantos hectares por dia devo usar na conta? Use o que você faz num dia comum, contando parada pra trocar bateria, preparar calda, esperar vento baixar e mudar de talhão. O número do catálogo do fabricante é o de condição ideal.
Devo cobrar reaplicação se chover logo depois? Decida antes e escreva na proposta. Tem prestador que cobra só a calda e o deslocamento na reaplicação, e tem quem cobre inteiro. O que dá briga é a regra aparecer só depois da chuva.
Por que o meu preço ficou acima da faixa que vi na reportagem? Pode ser volume baixo no ano, deslocamento embutido no hectare ou equipamento caro pro tamanho da sua carteira. Refaça a conta separando as três camadas antes de mexer na margem.
Pra fechar
Com a conta aberta, você responde o telefone com segurança e sabe onde pode ceder. O outro lado disso é ter volume, porque o preço cai quando a agenda enche. E hoje boa parte desse volume começa numa busca no Google, com o produtor digitando "pulverização com drone preço" ou "empresa de pulverização com drone" perto da fazenda dele.
Se você ainda está organizando a papelada, o guia de como abrir empresa de pulverização com drone passa por CNAE, MAPA, ANAC, curso e EPI na ordem certa.
Sobre o autor. Sidnei Assis escreve o blog de Ojirau. Especialista em marketing, funil e vendas, atende o Brasil todo, 100% remoto. Conheça o trabalho dele em sidneiassis.com.br.
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